DESCRIÇÃO DESTE BLOG:

Seu nome é Natasha, ela é uma vampira, e ninguém sabe de seu paradeiro. Muito menos seu amante, um vampiro apaixonado que, depois de procurá-la em todos os lugares possíveis, decide, como sua última e desesperada tentativa, publicar cartas na internet na esperança de que ela o encontre ou alguém lhe forneça pistas de sua amada desaparecida.
E essas cartas o leitor pode encontrar neste blog, publicadas nas postagens abaixo, onde é possível entrar no clima de um mundo rubro, em que o vampiro vive e descreve em linhas de paixão, morte e muito sangue.
"Natasha" é uma criação do escritor e poeta Alexandre Souza (Sr. Arcano). Cada postagem é uma situação revelada e a expectativa aumenta: será que ele vai encontrar Natasha? Qual foi o motivo de seu desaparecimento? Um suspense que leva o leitor a situações improváveis, com cenas angustiantes e ao mesmo tempo envolventes, em que o aparecimento da misteriosa Natasha pode ser o único final possível.
Ela pode estar perdida, bem perto de você, ou num local deserto, ou até mesmo morta... Quem sabe? Quem viu por aí uma vampira de cabelos ruivos, pele pálida e olhos claros? Se você tem alguma pista, se a viu em algum lugar, entre em contato. Ou simplesmente acompanhe este blog para saber o que vai acontecer...
Porque os amantes que se amam para sempre podem até ter seu fim, mas são imortais em seus momentos de amor eterno.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Nota do autor de "Natasha - A Vampira Rubra"

Noturnas saudações, caros leitores vampiros!

O conteúdo destinado ao blog de "Natasha - A Vampira Rubra" está chegando ao fim, pois trata-se de um material promocional direcionado aos fãs e leitores interessados na obra completa, que é bem mais abrangente.
O livro de Natasha continua aguardando proposta de qualquer editora interessada em publicá-lo, e reserva em seu conteúdo o início de uma grande saga vampírica.
Quem acompanha o blog, já deve ter notado a presença de personagens como o Padre Castor e Luna. Teremos então os livros posteriores ao de Natasha, dedicados a estes e outros personagens deste universo vampírico, conspirando em seus encontros no Masquerade Bar, e povoando lendas e mitos sobre vampiros do mundo inteiro.
Todo esse trabalho, que vem sendo elaborado com grande entusiasmo, é um presente que ofereço a todos vocês, admiradores e fãs de vampiros.
Por isso, tenham uma boa leitura, aguardem as novas postagens deste blog, e...

...Carpe Noctem!

(Sr. Arcano)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Trigésima-Segunda Carta


Natasha... “Para onde vai a dor? E os gritos por clemência? Quem dá importância ao tormento de nossas vidas? Quem as pesa na balança da justiça? A vida é fluida. A morte é sedenta”.


Você lembra do piano? Aquele antigo e empoeirado piano, amarelecido pelo tempo? Ele continua aqui, mas agora encontra-se todo negro, coberto pelas cinzas do incêndio. Porém, ele ainda emite algumas notas.

Natasha, ontem eu estava sentado em frente ao piano, curvado diante das teclas como se tivesse um grande peso em minhas costas, tamanha era a minha tristeza. E tocando algumas notas ao acaso, percebi que eu não estava só.

A vampira-fantasma, que três anos atrás me atacou, deixando-me desacordado, estava atrás de mim, sugando minha energia.

Eu não demonstrei a menor resistência. Pelo contrário, deixei que ela continuasse sugando minha vida.

Natasha, você foi minha razão de viver, e agora, sem a sua presença alimentando meus sonhos, perdi toda a vontade de continuar vivendo.

Já se passaram anos desde seu desaparecimento, anos que eu saio à sua procura, e após as noites sem sucesso, venho para este prédio abandonado e em ruínas, onde vez ou outra escrevo uma dessas ensangüentadas cartas em nosso apartamento desolado, tentando suportar a tristeza dos meus anos de solidão.

Ontem, enquanto eu me entregava à morte, numa complacência serena, Luna e seu cachorro amarelo me observavam.

O interessante, Natasha, é que tive uma leve impressão de que, naquele momento, eu poderia ficar ao lado deles logo após a vampira-fantasma sugar toda a minha vida. Mas naquela noite eu não morri. Algo estranho aconteceu, e eu lembro disso como uma triste lição que me abriu os olhos...

Enquanto passava a mão na cabeça de seu cachorro amarelo, Luna, finalmente, falou comigo:

— Eu sei que errei, carregando comigo, para o purgatório, um vazio difícil de suportar. Mas eu queria que alguém entendesse o quanto é difícil para mim, além desse meu vazio, conviver com a dor que me fizeram sofrer.



E eu respondi:

— Não posso ajudar você, Luna. A tristeza é um fardo muito pesado que está me deixando sem ação.



Mas como se não estivesse me ouvindo, ela apenas continuou.

— E eu achei que você pudesse entender, mas vejo que está cego de amor por sua amada desaparecida, desde a noite em que nos conhecemos, mesmo que vagamente, quando demonstrou que se importava comigo.

— O que me resta é continuar assombrando seu lar, como alma que vaga na dor de meus lamentos que não são ouvidos.



Após dizer essas palavras, Luna gemia dolorosamente, como uma canção que traduzia seus lamentos e fazia sua alma flutuar de um lado para o outro pelo apartamento, como se ela estivesse navegando em seu próprio mar de dor.

Natasha, ao mesmo tempo eu sentia a vida esvaindo-se de meu corpo. Aquele espírito-vampiro, com a forma de uma mulher, não dava atenção à presença de Luna e continuava tirando minha vida, com sua boca em meu pescoço, sugando não o meu sangue, mas sim diretamente toda a energia que dava vida ao meu corpo.

Então algo extraordinário começou a acontecer. Luna emitia seu gemido de forma mais profunda e lancinante, e o apartamento começou a tremer. Os móveis cobertos de cinzas, assim como os demais destroços, começaram a levitar. Garras invisíveis arranhavam as paredes. Até que Luna surge na minha frente, e com as mãos segurando minha cabeça, ela diz:

— Agora olhe em meus olhos, e eu vou te mostrar o que realmente é dor.



Natasha, o que vi a seguir foram diversas imagens do passado de Luna invadindo minha mente.

A infelicidade de andar sozinha e não ter com quem conversar. Fora forçada a seguir o caminho da prostituição, pela própria mãe, e era conhecida por todos no colégio através de sua imagem divulgada por essa indústria pornográfica. Vivia discriminada, e a violência das surras e abusos que sofria, no próprio colégio, fez com que ela se afastasse cada vez mais do meio social. Eu podia ver e sentir cada lágrima, cada ferida e hematoma, cada cuspe e abuso...

E ela me dizia:

— Eu só queria que alguém entendesse minha dor!



Não encontrou refúgio em casa, o padrasto a estuprava violentamente, e sua mãe, sendo sua cafetina, roubava todo o dinheiro da menina para custear suas drogas e jogatinas. A mãe também a usava como escrava nos serviços domésticos, onde o excesso de trabalho denunciava algo abusivamente além do que podemos chamar de “empregada”. Não havia espaço para sonhos, somente olheiras no rosto soturno de Luna. E até a água que bebia era motivo de cobrança.

Tentou agarrar-se na esperança de acolhimento e socorro de parentes, mas a família que lhe restava era egoísta. Jogava-a no sótão, como um rato que não desejavam ter por perto.

E mais uma vez eu vi e senti cada humilhação que ela sofria, cada desprezo e expressão de nojo quando a viam.

E ela me dizia:

— Eu só queria que alguém entendesse minha dor!



Tentou fugir. Foi para as ruas, onde encontrou a fome e o desespero. Sentia o frio até na alma. Fraca e magra, foi abusada inúmeras vezes. Viu de perto o olhar de abandono dos miseráveis com quem agora dividia espaço. E até conhecer uma vampira que lhe deu a mão (salvação disfarçada de morte), sentiu cada parte de seu corpo ficar impregnada pela imundície de sua triste realidade.

E de forma dolorosa, vi e senti cada olhar de tristeza ao se deparar com meninas de sua idade, passando pela rua, trajando a imagem de seus sonhos, enquanto ela estava ali, jogada e abandonada, como se fosse lixo.

E ela me dizia:

— Eu só queria alguém que entendesse minha dor!



Todas as imagens e sentimentos vieram de uma só vez, invadindo minha mente, corrompendo minha alma. E quando eu pensei que tinha terminado, Luna grita:

— MINHA ENORME DOR!!!



Então tudo que eu vi e senti aumentou de forma assustadora, como se aquela confissão, dessa vez, estivesse carregada de rancor. Uma tristeza tão grande que me fez gritar. Senti-me completamente abalado e perturbado. E para meu espanto, após cair atordoado sobre o piano, vejo ao meu lado o espírito-vampiro flutuando de costas para o chão. O impacto daqueles sentimentos também foi demais para aquele ser que me sugava, e que ocasionalmente acabou por receber também parte da essência da dor de Luna.

Tudo ficou calmo a partir desse momento. Luna foi embora, com sua imagem se diluindo até desaparecer completamente, como fez também o cachorro amarelo.

Tudo que estava levitando caiu, móveis e destroços estavam agora espalhados pacificamente pelo chão. E as misteriosas garras pararam de arranhar as paredes.

Após essa experiência avassaladora, uma coisa realmente extraordinária também aconteceu. Misteriosamente, uma luz entrou pelo canto superior do apartamento, e o espectro-vampiro levitou em sua direção, na posição que agora se encontrava, de costas para o chão, até desaparecer junto com a luz.

Natasha, seria a dor uma cura? Não importa, porque o piano vermelho está queimado, a tinta vermelha das paredes descasca como aquele teu esmalte com cheiro de sangue. E sua foto que deixei sobre o piano está quase toda queimada. Tudo bem, não parecia mesmo você, seus olhos ficaram VERMELHOS!


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Trigésima-Primeira Carta


Natasha... meu espírito solitário e triste vaga nas sombras da noite, onde seu olhar rubro e faminto assombra o meu destino, com traços de carmesim...
Tudo ao redor parece a mesma realidade de sempre, mas com a diferença de que as almas vagam de forma errante, e os vampiros mortos as caçam, num festim fantasmal e sombrio, onde os humanos também são vítimas de vampiros que vivem entre esses mundos, o espectral e o físico.
Natasha, após o acidente que deixou minha cabeça gravemente ferida, sinto que eu deveria estar morto. No entanto, vejo mortos em toda parte! E se os vejo, quer dizer que você não morreu? Ou encontra-se num local mais oculto, talvez o Inferno...
Sinto que minha ligação com a realidade foi rompida, e eu devo estar mesmo louco. Delírios, ilusões... O que é fantasia ou realidade? Eu não sei mais o que é isso ou aquilo...
Natasha, meu destino está entre a vida e a morte, rumo ao eterno. Caminho em direção ao medo e ao terror de novamente sentir essa sensação de estar nascendo, mas dessa vez para um mundo infinitamente maior. E nesse mundo eles me esperam. Eles, todos eles. Essas assombrações que me fazem companhia. Demônios, elementais sombrios e espectros.
Se ainda não estou morto, sinto que minha morte será breve, porque meu coração já está quase que completamente desintegrado, e atrás de mim essas assombrações me perseguem como numa procissão fúnebre.
E eu, continuei vagando esta noite. Fui atrás do estranho homem que parecia-se comigo. Sua tristeza me atraía profundamente.
Senti que ele notava minha presença, mas não conseguia me ver. Entre becos escuros e sujos, ele entrou em desespero, e começou a correr. Mas eu era mais veloz, e por algum motivo que agora não sei explicar, eu me sentia como se estivesse flutuando.
Consegui agarrá-lo, e ele me surpreende com um golpe violento em meu queixo, usando para isso uma barra de ferro. Mas eu estava fraco, e isso significava que minha fome estava maior, assim como o desespero de minha alma em conseguir mais energia. Então, por fim, cravo meus dentes no homem. O sangue transborda em minha boca e sinto o alívio arrependido de mais uma morte de um inocente alimentando meu desejo, temporariamente saciado.
Então, acordo. É meia-noite. Tudo não passou de um sonho, pensei. Mas o meu queixo sangrava com a ferida do golpe...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Trigésima Carta


Natasha... quando achamos que está tudo bem, os fantasmas do passado voltam para nos assombrar. E as vítimas de um vampiro são seus piores pesadelos, nos subterrâneos de seu coração amaldiçoado.
E às vezes me pergunto se nossas catástrofes são, na verdade, obras do sobrenatural. Espíritos vingativos que nos perseguem, ou apenas mensageiros que nos alertam sobre os perigos da realidade...
Natasha, minha cabeça continua doendo. É como se eu tivesse recebido uma pancada muito forte, mas não me lembro...
Certa noite, senti presenças de espíritos neste apartamento. Eles tentavam falar comigo, espíritos, mais uma vez, caíam lentamente do teto, como vapores que se soltavam das marcas de sangue acima de mim. Com o tempo, algumas partes das paredes e do chão também estavam ficando com essas marcas. Fantasmas estão assombrando este apartamento abandonado, são almas famintas que vagam perdidas em algum lugar no mundo dos mortos. E nesse momento, seu laptop liga sozinho. O pequeno ruído que denuncia seu funcionamento consegue ser mais assustador que o som do sopro dos fantasmas, voando ao meu redor.
De um canto escuro, seu cachorro amarelo me observa, sereno e silencioso. E o fantasma de Luna surge das sombras, contaminando o ar com seu desespero, onde o vazio predomina em sua existência e afeta dolorosamente toda a vida ao redor.
Natasha, fiquei perplexo. Mensagens dos mortos surgiam na tela do laptop destruído pelo incêndio, e uma delas mencionou o nome do padre Castor, em visível ameaça ao cristão...
De repente, tudo começou a fazer sentido. Olhei pela janela e vi, ao lado de uma capela sombria, o campanário, bem próximo, com o badalar infernal de seu sino. E da igreja um padre olhava em minha direção. Era ele! O vampiro cristão!
O Inferno borbulhava de ódio, a violência nas ruas abaixo, próximas ao Masquerade, aumentava. Os vampiros sentiam sua presença, e estavam profundamente incomodados.
Então, lembrei de algo muito importante, através de um lapso de memória que me deixou tonto. Minha cabeça doía mais nesse momento, até que eu vi...
Lembro de você virando as costas para mim, despedindo-se... e o padre Castor saindo de nosso prédio em chamas, momentos após você entrar. Você disse que tinha esquecido algo e que já voltava, mas nós dois sabemos que isso não era verdade, não é mesmo, Natasha? Porque sua últimas palavras, num tom de brincadeira, diziam... “vou conhecer o dia”, e nós dois sabemos muito bem o que isso significava. Eu devia ter levado você mais a sério.
Conhecer o dia...
Natasha, foi ele. Aquele maldito padre, caçador de vampiros, incendiou nosso apartamento. Eu fui até lá para salvar sua vida, mas acabei atingido por um enorme e pesado tronco de madeira.
E depois... só lembro de destroços, cinzas, ilusões, delírios e fantasmas.
Mas, Natasha, eu não estou morto. Ainda...

sábado, 10 de outubro de 2009

Pequeno cartaz da Natasha


Ele está sendo espalhado pelas ruas da cidade. Colabore você também, dessa forma você vai estar facilitando o trabalho das autoridades atrás dessa assassina sanguinária, que só nos últimos anos já matou centenas de inocentes e ateou fogo em dezenas de igrejas. Bom, pelo menos isso é o que andam dizendo por aí...
Quem sabe com esse cartaz ela não apareça das sombras, ou do Inferno!